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Museu Municipal de Estremoz

Colecção Júlio Maria dos Reis Pereira

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Julio - bonecos de Estremoz.jpg

Évora, Qtª StºAntónio

Transferido de Coimbra, Júlio Maria dos Reis Pereira foi trabalhar em 1937 para a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais do Sul, sediada em Évora.

Em 1943 a Colecção de Bonecos começa a tomar forma, quando compra o primeiro Boneco de Estremoz ao antiquário calipolense João Espanca. Dá assim efectividade material ao gosto que começava a ter na arte popular, nomeadamente a que estivesse directamente relacionada com o Alentejo. Sobre este gosto pela arte popular, de acordo com entrevista que deu ao Diário Popular a 9 de Dezembro de 1971, surgiu apenas quando veio morar para o Alentejo (Évora). A sensação de isolamento, o ambiente local e o contacto directo com o mundo rural transtagano, foram fundamentais para abraçar a arte popular.

Durante os anos posteriores, continuou a adquirir bonecos junto de antiquários alentejanos, principalmente em Estremoz, Évora, Borba, Vila Viçosa e Elvas, mas também de Lisboa e do Porto. Os seus principais fornecedores foram José Antunes Chambel, Venceslau Lobo, Rui Nogueira e também alguns particulares.

Todos sabiam a quem vender estas peças de cerâmica policromada, usando os meios possíveis para o contactar. Chegavam a enviar postais a avisá-lo que estavam na posse de determinado boneco. Iam também à sua casa de Évora (Quinta de Stº António), com um embrulho na mão, onde bem protegido estava o tesouro que tanto queria Reis Pereira. Além de coleccionar, teve também a preocupação de dar a conhecer a arte. Em 1961, numa reunião do Grupo Pró Évora, Reis Pereira, na época Tesoureiro desta associação de defesa e promoção do Património eborense, propõe a realização de uma mostra de bonecos de Estremoz (a primeira sobre esta temática). Entretanto conseguem os apoios financeiros indispensáveis para a realização da exposição, tendo já nessa altura a mesma sido alargada à tradição bonequeira no Alentejo, principalmente Portalegre e Estremoz.

Segundo o Relatório da mostra foram ainda apresentadas numerosas esculturas que podem ser englobadas em três conjuntos: o primeiro constituído por figuras tendo apenas um certo parentesco com as do «estilo popular» a que nos referimos e que no catálogo levaram a menção de «tipo de Estremoz»; o segundo, abrangendo um grupo de esculturas de feição erudita ou dela próxima, do Século XVIII, provenientes dos antigos Conventos de Santo António de Redondo, de S. Paulo da Serra de Ossa e dos Capuchos de Vila Viçosa, repositórios valiosos do passado, como tantos outros conventos, da arte do barro; o terceiro, respeitante à produção actual da Secção de Olaria da Escola Técnica de Évora, em Viana do Alentejo, representada por curiosas figurinhas de barro vidrado, executadas pelos alunos. Segundo se verifica no catálogo da exposição, por 1962, já a colecção de bonecos que Reis Pereira ia fazendo desde 1943, estaria praticamente completa.

Entretanto, sentindo o poeta pintor a proximidade da reforma, e consequentemente o definitivo regresso à terra que o viu nascer, prepara uma proposta de venda das figurinhas à Câmara Municipal de Estremoz. Todo o processo começou em 1969, segundo está referido na Acta de Reunião da Câmara realizada a 7 de Novembro, quando Júlio Reis Pereira deu a conhecer a disponibilidade em vender os bonecos, por 600 mil escudos, ao Presidente da Câmara Luís Pascoal Rosado. Após várias reuniões e correspondência trocada, e apesar do falecimento do grande promotor da aquisição que foi Luís Pascoal Rosado, fica acordada em 1971 a venda da colecção (acordo este respeitado pelo novo Presidente) composta por 375 peças (os núcleos maiores são compostos por 78 Nossas Senhoras da Conceição; 56 Stº António; 28 Meninos Jesus; 23 Senhores dos Passos), pela verba de 770 mil escudos, a pagar em 73 prestações. A primeira foi paga a 22 de Julho de 1971 e a última 1 de Agosto de 1977. Por diversas vicissitudes, a colecção foi apenas exposta em 1976, por interesse e pressão da Câmara Municipal de Estremoz e intervenção directa do Director Geral da Cultura Dr. Ruben Leitão. Desenhou as vitrines e montou a exposição o Conservador Dr. Rafael Calado (Museu de Arte Antiga), com o auxílio de Joaquim José Vermelho (Responsável do Museu) coadjuvado por Januário Coradinho (funcionário municipal).

A 07 de Dezembro de 2002, em memória de Júlio Maria dos Reis Pereira, e homenageando-o no que seria o centésimo aniversário do seu nascimento, o Museu Municipal de Estremoz coloca uma placa nas Salas de Exposição da Colecção de bonecos vendidos por Reis Pereira. Seis anos depois este mesmo Museu em parceria com o Museu de Vila do Conde, organizam e trocam exposições sobre o autor enquanto coleccionador de figurado de Estremoz e enquanto ilustrador da Revista Presença.

Hoje a colecção é uma mais valia cultural para a cidade, sendo um repositório natural da memória colectiva da comunidade e uma lembrança constante aos novos barristas locais, da qualidade dos seus predecessores e da necessidade de manutenção da tradição de modelação ao modo de Estremoz.


Tem por base o artigo escrito para o Portal de Cultura Bestartis em 2008.

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