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A palavra Presépio deriva do latim praesepium, que quer dizer curral, estábulo ou lugar de recolha de gado. A cena da Natividade é a junção das descrições do Nascimento no Evangelho de São Lucas (2: 7 e 12) e São Mateus (2: 11), enriquecida com o burro e a vaca (Isaias 1:3), com a representação dos Reis Magos, e claro com os Pastores que avisados pelos Anjos têm conhecimento do nascimento do Salvador. Além de uma multiplicidade de “figurantes” que pontuam o Presépio. Reza a história que a tradição desta tipologia de representação nasceu a partir de um Presépio realizado por S. Francisco de Assis, em Greccio (Itália), no Natal de 1223.

A primeira cena da Natividade portuguesa está representada num capitel do Mosteiro de Celas (Coimbra) e é do séc. XIII/XIV. No séc. XVI surgem como hoje os conhecemos, sendo de influência flamenga e napolitana.

Em seiscentos diminuem de tamanho e são colocados dentro de uma maquineta. No séc. XVIII atingem um elevado grau de aparato devido a D. João V, que chamou ao país a elite dos artistas europeus, que trabalhando com artistas portugueses, lhes terão renovado o gosto. Alguns dos artistas tornaram-se presepistas, referimo-nos a João Policarpo da Silva, Joaquim Machado de Castro, António Ferreira, Faustino Rodrigues e Joaquim Laborão, os quais não temeram embarcar pelo barro, dando ao Presépio um gosto popular, tão bem aproveitado pelos centros cerâmicos nacionais, como Estremoz.

Na centúria seguinte a tradição decaiu. Apontam-se como principais causas, o fim das ordens religiosas (1834) e a nova moda introduzida pelo Rei de origem alemã D. Fernando II, que traz para Portugal a Árvore de Natal.

No princípio do séc. XX, o Presépio estava em desuso. Durante o Estado Novo (1933 a 1974), procurou-se incentivar a utilização do Presépio, em detrimento da “estrangeira” árvore de Natal. A tradição conhece um novo alento, dado pelo artesanato e pela Escola Primária.

Quanto ao Presépio em Estremoz, destaca-se o da tradição cerâmica. Tendo em conta a tradição presepista franciscana, acreditamos que foram estes que o introduziram em Estremoz. Não se conhecem exemplares anteriores ao séc. XVIII. As cenas da Natividade de setecentos feitos ao modo de Estremoz, resultam do trabalho das barristas de adaptação ao gosto e tradição local, dos grandes Presépios realizados em barro pela chamada “Escola de Mafra”. A cena era composta pela “Sagrada Família” (o “Menino” não estava numa Mangedoura e o “S. José” e a “Virgem” estavam ajoelhados), por três “Reis Magos” a pé (surgem a cavalo por inovação de Mariano). Na cena observavam-se vários ofertantes. Múltiplas figurinhas que representavam cenas da vida real, como o “Pastor a Dormir”, a “Mulher a Fiar”, a “Mulher a fazer chouriços”, “Mulher a assar castanhas”, “Mulher com Galinhas”, “Mulher com Perus”, “Pastor com Carneiro às costas”, “Pastor a fazer as migas”, entre outras, que eram colocadas sobre a enorme mesa onde se explanava o vasto presépio, que podia ser anualmente “completado” com mais uma série de peças pedidas por encomenda às barristas.

Em novecentos assiste-se à estilização e popularização na modelação dos presépios locais. No século seguinte estavam praticamente em desuso. Eram raras as encomendas. Neste século, na década de 10, Sebastião Pessanha, encomenda um Presépio, com 60 peças. Disse-lhe a velha barrista Gertrudes Rosa Marques, que já não saia um da sua oficina há muitos anos, facto que atesta o desuso da representação da Natividade.

Entretanto, durante o Estado Novo a barrística conhece um novo alento, e conhece também uma inovação nos Presépios que substituiu a antiga tradição. Nos anos 30, o Director da Escola de Artes e Oficios local, José Maria Sá Lemos, com a assistência do Mestre Oleiro Mariano da Conceição, junta os Tronos de cascata de Stº António, com as principais figurinhas que compõem um Presépio. A cena passa a ser composta por 9 peças, mais o Trono (ou Altar), onde estão os três Reis Magos no degrau mais alto, estando ao centro a Sagrada Família com o Menino na Mangedoura, e no último degrau estão três Pastores ofertantes. O Presépio de Estremoz é actualmente muito solicitado aos barristas, sendo uma peça realizada por todos eles. Também os artesãos que trabalham outra matérias primas, como cortiça, madeira ou metal, têm nos últimos anos iniciado um trabalho de grande interesse na representação da Natividade.

No ano de 2007 o Museu Municipal de Estremoz organizou a representação portuguesa na cidade italiana de Grottaglie. Em 2008 e 2009 este mesmo Museu Municipal realizou exposições colectivas de artesanato sobre a temática, tendo a primeira sido no Centro Cultural e a seguinte no Salão Nobre da Câmara Municipal.

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